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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Für Regine..


Quando alguma coisa não está bem no presente a memória vem, o passado volta e a gente se sente novamente com 15 anos, como se fosse perfeitamente possível um túnel do tempo..
Lembro-me de coisas peculiares como: A Rua Dr. Rocha Novaes, cheia de crianças (nós), que vivia cheia de barulhos diversificados e que agora se tornou grande demais porque o mais novo de lá tem 35 anos e não mais se aventuraria em um jogo de queimada.
Lembro-me da minha irmã Regine, que faleceu aos 27 anos em 1979, vítima de uma infecção cardíaca. Ela era uma pessoa verdadeiramente boa, muito ingênua e nunca a vi brava. Ela me adorava, porém não tínhamos muita paciência com ela e hoje, ao menos à mim, isso custa muito. Eu tinha uma certa inveja dela porque, como ela estava doente, recebia muitos carinhos. Quando ela se foi, ninguém aceitou. Por alguns momentos, eu também desejei estar doente para ter tratamento vip, mas depois acho que cai na real.
Na época, eu gostava muito de ler o livro de José Mauro de Vasconcelos, "Meu pé de laranja lima", não que a situação fosse a mesma, mas o Zezé também não podia fazer nada que logo lhe vinham culpas e culpas...
Nunca me pareci espiritualmente ou psicologicamente com os membros de minha família. Não era a ovelha negra, mas sempre soube que haviam diferenças profundas, ao menos na forma de pensar.
Para começar minha cabeça tornou-se uma bagunça pois meu pai era alemão e minha mãe é mulata. As raças se misturaram na pele. Assim, sempre me senti múltipla.
Quando somos produto de uma mistura, parece que temos que escolher um lado, não obstante, sabemos que não existe lado.
O que sempre pegou com a minha família foi mesmo a substancial diferença de pensamentos e objetivos. Dai tentei manter o que eu pensava e o preço disso foi a indiferença deles. Só vejo minha mãe, que mora a 35 km daqui, quando vou lá, a cada 15 dias e nem ela, nem eles, me visitam aqui.
Bem, já lamentei essa situação e admiro quem tem uma daquelas famílias Sicilianas, que tomam um porre juntas, que brigam e se defendem, mas hoje, minha família vital são meus dois filhos como meus três cachorros. Estão sempre comigo (não sei se é por limite da dependência mas é bom). Quando abro os olhos de manhã são as primeiras coisas que procuro e sem eles, sei que não haverá mais dias..

Um comentário:

Ademar Oliveira de Lima disse...

Estive aqui lendo um pouco o seu diario! Desculpe a invasão! Abraço Ademar!!!